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Linguagem inclusiva? O que é isso?

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O uso de linguagem inclusiva foi um dos princípios que a presente Comissão Nacional de Liturgia adotou na revisão e elaboração de liturgias para o nosso novo LOC. Em toda parte, pode-se observar que pequenas mudanças foram feitas de modo a refletir esse princípio de forma mais evidente. É preciso que nossa liturgia estenda o entendimento que temos de Deus e da humanidade, como testemunho de que a humanidade – independente de gênero – é feita à imagem e semelhança de Deus. Por isso que algumas de nossas orações evocam – de forma mais evidente – a maternidade de Deus.

Damos graças, sobretudo, pela oportunidade de sermos uma comissão com uma maioria de mulheres – fato inédito. Também agradecemos a Deus por termos uma custódia do Livro de Oração mulher. Nós, enquanto grupo onde mulheres têm voz, podemos enxergar seus problemas de exclusão de maneira mais clara – algo que os homens só vivem em teoria, sem que seja experiência de vida.

Assim, expressões como “Pai materno” são formas de expressar, teologicamente, que Deus tem caracteristicas paternas e maternas ao mesmo tempo. Tal entendimento ecoa a tradição da Igreja, como Juliana de Norwich e Anselmo de Cantuária, bem como a metáfora bíblica da galinha e seus pintinhos. Deus não pode ser encapsulado num só gênero. Deus transcende a noção de gênero. Por isso, adotamos também referências mais expansivas, com o uso de certas metáforas, como “Fonte, Raiz, Origem”, etc. bem como outros nomes que expandem nossa visão de Deus.

Isso não exclui o uso de fórmulas tradicionais com implicações teológicas, como o batismo proferido em nome do “Pai, do Filho e do Espírito Santo”, mas permite contrabalançá-las com outras expressões que remetem à tradição, e também à inspiração divina que se manifesta na contemporaneidade.

As rubricas, doravante, também fazem menção à possibilidade de que pessoas leigas e ordenadas, de todas as ordens, não necessariamente serão do gênero masculino. Nada mais natural numa igreja que estende a todos os gêneros a possibilidade de acesso às diferentes ordens e ministérios.

Quaisquer sugestões, continuamos disponíveis para comunicações via site. É só preencher um formulário de contato. Contamos com a sua opinião!

Em Jesus Cristo, onde começa a fundação do amor maternal. (Juliana de Norwich)

Comissão Nacional de Liturgia.